sexta-feira, 22 de abril de 2011

Catecismo da Santa Missa.

Catecismo da Santa Missa
Micrólogo (Anônimo)
Baseado em livro de autor anônimo do Século XIX, publicado em 1975 pela EDICIONES RIALP - Madrid,
NIHIL OBSTAT de D. José Larrabe Orbegozo, Madrid, 27 de outubro de 1975
IMPRIMA-SE: Dr. D. José Maria Martim Patino, Pro-Vigário Geral
Apresentação de Angel Garcia Y Garcia


Glossário

LITURGIA:
palavra grega composta de leiton, que significa público, e de ergon, que significa obra ou ato público, o que em português chamamos de serviço divino. Os livros que contêm o modo de celebrar os santos mistérios denominam-se liturgias.

Litúrgico:
que pertence ou se refere às liturgias.

Liturgistas:
escritores ouestudiosos de liturgia.

RITO:
em latim ritus, significa um uso ou uma cerimônia que segue uma ordem determinada. Diz-se também rite ou recte para indicar o que está bem feito, com ordem, segundo o costume. Assim se diz rito romano ou milanês conforme prescrito em Roma ou Milão.

Ritual
: livro que prescreve o modo de administrar os sacramentos.

RITO MOÇÁRABE:
rito utilizado nas igrejas de Espanha desde o início do século VIII até o final do século XI. A palavra moçárabe se refere aos espanhóis que subsistiram ao domínio dos árabes quando estes se apoderaram da Espanha em 712, e significa árabes externos, diferenciando-os dos de origem árabe. Este rito chamava-se normalmente de rito gótico, por ter sido seguido pelos godos cristianizados.

SACRAMENTAL:
livro que continha as orações e as palavras que os bispos ou sacerdotes recitavam quando celebravam a Missa ou administravam os sacramentos. Posteriormente o específico dos bispos denominou-se pontifical, enquanto que o dos sacerdotes passou a ser sacerdotal, ritual ou manual.

MISSAL:
livro que contem tudo o que se diz na Missa no decorrer do ano.

ANTIFONÁRIO:
assim era chamado o livro que continha tudo o que se devia cantar no coro durante a Missa devido aos intróitos que tinham por título Antiphona ad introitum; mas há tempo se utiliza esse termo para indicar o livro que contem as antífonas das matinas, laudes e demais horas canônicas.

ORDO ROMANO:
livro que continha a maneira de celebrar as missas e os ofícios dos principais dias do ano, em especial os dos 4 dias da Semana Santa e da oitava da Páscoa. Este ORDO posteriormente foi aumentado e denominado cerimonial.

ORDINÁRIO:
assim é chamado há 600 anos o livro que determina o que se diz e se faz, cada dia, no altar e no coro.

ORDINÁRIO DA MISSA:
reúne o que se diz na Missa comum, para distingui-lo do que é próprio para as festas e demais dias do ano.

MICRÓLOGO:
palavra grega, composta de microse de logos; significa breve discurso. Um escritor do século XI compôs um tratado sobre a Missa e demais ofícios litúrgicos com este título: Micrologos de ecclesiasticis observationibus, e como se ignora quem seja ele, diz-se o nome Micrólogo ou o Micrólogo. Sabe-se que ele foi contemporâneo do papa Gregório VII; mas o tratado foi escrito após a morte deste Pontífice, motivo pelo qual a obra é colocada no ano 1090.



 Introdução

1 - Definição

P1. Que é a Santa Missa?

R. A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. É o mesmo e único sacrifício infinito de Cristo na Cruz, que foi solenemente instituído na Última Ceia. Nesta cerimônia ímpar, Cristo é ao mesmo tempo vítima e sacerdote, se oferecendo a Deus para pagamento dos pecados, e aplicando a cada fiel seus méritos infinitos.

P2. Por que dizemos que a Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário?

R. Porque na Missa Nosso Senhor Jesus Cristo se imola novamente para nossa salvação, como Ele fizera no Calvário, embora na Missa seja sem sofrimento físico.

P3. Por que a Missa é chamada de "Santa"?

R. Porque nela é o próprio autor da santidade que se oferece como vítima, num sacrifício perfeito a Deus, e como alimento espiritual aos fiéis na Eucaristia, ou seja, a transubstanciação real do pão e do vinho no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

P4. Em que momento da Missa se realiza a transubstanciação das espécies de pão e vinho no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo?

R. A transubstanciação se realiza no momento da consagração, quando o celebrante repete as palavras que Nosso Senhor pronunciou na última Ceia, ao consagrar o pão e o vinho, instituindo, assim, o sacramento da Eucaristia.
2 - Prática freqüente do Santo Sacrifício da Missa

P5. Qual é a cerimônia religiosa e solene mais comum entre os católicos?

R. É a santa Missa.

P6. Por que a santa Missa é a cerimônia mais comum entre os católicos?

R. Porque, além de ser celebrada nos domingos e dias santos, quando há obrigação rigorosa de assisti-la, ela é celebrada diariamente e fortalece a piedade do cristão zeloso, em especial quando ele tem a graça de comungar.

P7. Além dos domingos e dias santos, podemos assistir a Missa em outras ocasiões?

R. Sim, e é proveitoso à alma também assisti-la em certas ocasiões especiais tais como:
a - nos aniversários de graças importantes recebidas;
b - nos dias da quaresma;
c - na quinzena pascal.

P8. Podemos assistir Missa diariamente?

R. Sim. Sempre que o fiel tiver a possibilidade e principalmente aqueles que receberam mais bênçãos dos céus e favores terrenos devem entender que seria até uma ingratidão não participar do oferecimento diário da grande vítima de ação de graças.

P9. Por que é conveniente e salutar assistir a Missa sempre que possível?

R. Porque todo o cristão, desejoso de ordenar sábia e piedosamente sua conduta, encontra na Missa o meio de consagrar pela oblação do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo os trabalhos e fadigas de cada dia, sem esquecer as obrigações do próprio estado. Além disto, a assistência freqüente implica em maior aproveitamento dos méritos de Cristo.

P10. Além da piedade e do fervor, que outros motivos nos levam a assistir a Missa?

R. Além da piedade e do fervor os cristãos se reúnem com prazer ao redor do altar do sacrifício por muitos motivos, como:
a - no início de cada ano, para agradecer e renovar os votos desta época;
b - em certas festas religiosas, para estreitar os laços de família e a piedade filial;
c - no dia dos mortos, para resgatar os pecados do passado com as esperanças de melhor porvir;
d - para conseguir êxito em determinado empreendimento;
e - para a saúde de uma pessoa;
f - para que se difunde a graça de Deus na união dos esposos;
g - para oferecer ao Senhor uma criança que acaba de nascer e a mãe que deu a luz;
h - para acompanhar diante dos altares os despojos mortais de nossos irmãos, antes de sepultá-los.

P11. A Missa, então, é motivo para tudo?

R. Sim. Resumindo, podemos dizer que a Missa é a consagração e santificação de todos os momentos graves, solenes e importantes da nossa vida.
3 - Necessidade de se entender as orações e as cerimônias da Santa Missa

P12. É necessário conhecer profundamente a Missa?

R. Um ato de religião praticado com tanta freqüência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida das nossas capacidades.

P13. Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa?

R. Podemos conhece-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.

P14. Para que devemos conhecer tudo isto?

R. Para que a Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de religião e de piedade.

P15. Que mais devemos conhecer da Missa?

R. Devemos conhecer suas palavras sagradas em que encontramos todo o sabor da unção de que estão repletas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para lembrar nossa alma e nosso coração que um Deus se imola para nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.

P16. Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa?

R. Devemos deixar fora do santuário a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo, e sermos, no templo, adoradores em espírito e verdade. (Ioh 1 - 4)

P17. Deus exige de todos os fiéis uma instrução profunda e detalhada da Missa?

R. Não. Deus supre a sensibilidade da fé ao conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração arrependido e humilhado. (Sl 50, 19)

P18. Quais as disposições essenciais e suficientes para aproveitarmos do santo sacrifício da Missa?

R. Devemos assistir a Santa Missa com a alma penetrada de dor pelas faltas cometidas, e nos aproximarmos confiadamente deste trono da graça, unindo-nos à vítima, Nosso Senhor Jesus Cristo, e à intenção da Igreja, na pessoa do sacerdote, e por seu ministério.

P19. Que mais é salutar conhecer?

R. Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um conhecimento mais íntimo da Santa Missa proporciona aos fiéis, com a explicação literal de suas orações e cerimônias.

P20. A Igreja, acaso, ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa?

R. Não. Na Igreja nada há de oculto e ela jamais pretendeu ocultar qualquer mistério aos fiéis, seja da Santa Missa, como de qualquer outra cerimônia litúrgica, como será demonstrado neste Catecismo.

P21. Qual a principal preocupação da Igreja quanto aos mistérios da Missa?

R. A Igreja somente teme que o pouco discernimento sobre os mistérios possa causar má interpretação às palavras neles contidas.

P22. Como a Igreja procura evitar possíveis más interpretações?

R. Apresentando sempre explicações claras dos mistérios aos fiéis.

P23. Há orientação explícita da Igreja para explicar os mistérios da Missa aos fiéis?

R. Sim. Os Concílios de Mogúncia,de Colônia e de Trento, como mais adiante veremos, ordenaram claramente que se prestassem aos fiéis as explicações necessárias para o melhor entendimento possível dos mistérios da Santa Missa, evitando, assim, más interpretações.

P24. Que outras medidas tomou a Igreja para facilitar o entendimento dos mistérios da Missa?

R. A Igreja colocou à disposição de todos os fiéis o ordinário da Missa, e impôs como dever dos sacerdotes a explicação das orações e das cerimônias da Santa Missa.

P25. Além do ordinário da Missa, há outras obras específicas sobre o Santo Sacrifício?

R. Sim; há inúmeras obras ao alcance dos fiéis sobre a Santa Missa, publicadas através dos séculos.

P26. A explicação da Missa é dever somente dos sacerdotes?

R. Não. Além dos sacerdotes é dever também dos fiéis, e seremos felizes mesmo se, com pouco conhecimento, colocarmos algumas pedras nos muros de Jerusalém, enquanto outros manejam com mão hábil a espada da palavra santa para cuidar da sua defesa.

P27. Qual o melhor método para nos aprofundarmos no conhecimento da Santa Missa?

R. Para compreendermos exatamente o verdadeiro sentido das orações da Santa Missa, é necessário conhecermos todas, palavra por palavra, o significado de cada termo, dos dogmas e dos mistérios nelas contidos.

P28. Que mais é necessário conhecer sobre as orações?

R. É preciso, também, conhecer os objetivos da Igreja ao estabelecer as orações, bem como deduzir ao máximo possível as intenções dos santos padres, dos antigos escritos eclesiásticos e da tradição. Para isto torna-se necessária também uma explicação histórica, literal e dogmática de tudo o que constitui a Missa.

P29. A que se propõe este Catecismo?

R. Este Catecismo se propõe a colocar em prática os mesmos objetivos da Igreja, de alimentar os mesmos sentimentos que ela quer infundir nos nossos corações para que possamos orar e oferecer com ela, e não perder o fruto produzido pelo reto conhecimento das palavras repletas de sentimento e de mistérios que ela nos coloca nos lábios.
4 - Regras para a celebração do Santo Sacrifício da Missa

P30. Por que é necessário conhecermos as ações e as cerimônias da Missa?

R. Porque, por meio das ações e das cerimônias expressam-se mais vivamente as idéias do que por palavras. Além disso, elas foram estabelecidas pela Igreja para nos edificar, nos instruir e despertar nossa atenção, bem como Deus lhes atribuiu graças particulares.

P31. Há exemplos bíblicos de atitudes que Deus atribuiu algum favor especial?

R. Sim; por exemplo, a Escritura nos diz que Moisés rogou com as mãos erguidas ao céu, e, nesta cerimônia, o Senhor estabeleceu a vitória dos judeus. (Ex 17, 11)

P32. Em que se fundamentam as cerimônias da Missa?

R. As cerimônias da Missa se fundamentam ora na necessidade, ora na comodidade ou em outros motivos simbólicos e místicos. Na pesquisa de todas elas, precisamos recorrer a uma infinidade de escritos em que se acham espalhados, procurando sempre suas origens.

P33. Poderia esclarecer com um exemplo?

R. Sim. Todos sabemos que lavamos com água as mãos e o corpo, por asseio; mas, a água usada no batismo não é para lavar o corpo pois, como diz S. Paulo: Non carnis depositio sordium (1 Ped 3, 21). A origem da água no batismo é puramente simbólica, ou seja, emprega-se aquele elemento tão próprio para lavar todas as coisas, para mostrar que, por meio do seu contato com o corpo, Deus purifica a alma de todas as manchas.

P34. Que é preciso fazer para se pesquisar devidamente a origem das cerimônias?

R. É preciso investigar também os tempos e os lugares em que elas passaram a ser usadas, verificar seus escritores contemporâneos e, nas orações contidas nos livros eclesiásticos mais antigos, analisar os objetivos da Igreja naquelas cerimônias, porque muitas vezes as próprias orações revelam seu verdadeiro sentido.

P35. Que mais devemos levar em conta para conhecer os motivos da Igreja no uso de determinadas ações que vemos na Santa Missa?

P. Além da pesquisa aludida anteriormente, devemos levar em conta o discernimento e bom senso que a Igreja empregou para estabelecer as razões das ações e das cerimônias da Missa.

P36. Como se classificam as razões em que a Igreja se baseou para estabelecer as ações e cerimônias da Missa?

R. Podemos classificar em seis razões.

P37. Qual é a primeira razão? Exemplifique.

R. A primeira razão é de conveniência ou comodidade. Há costumes que só podem ter como causa, estes fatores.
Exemplo: o motivo pelo qual se cobre o cálice depois da oblação é por pura precaução, para que nele não caia nada; e se o Micrólogo, que reconhece este motivo, acrescenta outros, é mais por sua conta que da Igreja.

P38. Qual é a segunda? Exemplifique.

R. Há usos que se fundamentam em duas causas: comodidade e simbolismo.
Exemplo: A primeira razão do uso do cíngulo sobre a alba é para impedir que esta caia e se arraste pelo chão; e esta razão física não impede a Igreja de determinar aos sacerdotes de cingirem-se como símbolo da pureza, pois S. Pedro nos recomenda a nos cingirmos espiritualmente: Succinti lumbos mentis vestrae (1 Pet 1, 13).
Outro exemplo: a fração da Hóstia se faz também, naturalmente, para imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo que partiu o pão, e porque é preciso distribuí-la; mas, algumas Igrejas deram a esta fração um sentido espiritual, dividindo a Hóstia em três partes (Itália e França), em quatro partes (Grécia), e em nove partes (rito moçárabe).

P39. Qual a terceira causa? Exemplifique.

R. Às vezes uma causa de necessidade física foi substituída por uma razão mística.
Exemplo: o manípulo, inicialmente, era um paninho utilizado pelos que trabalhavam na igreja para enxugar as mãos. Há seis ou sete séculos que não se o utiliza mais para aquele fim original; no entanto, a Igreja continua a usa-lo para lembrar seus ministros que devem trabalhar e sofrer para merecer a devida recompensa (Ut recipiant mercedem laboris).

P40. Qual a quarta razão? Exemplifique.

R. Às vezes um uso estabelecido anteriormente por uma razão de conveniência foi substituído por razão simbólica.
Exemplo: até o final do século IX, quando o diácono cantava o Evangelho, voltava-se para o Norte, onde se encontravam os homens, porque convinha anunciar-lhes a palavra santa preferivelmente às mulheres, que se achavam no lado oposto. Porém, desde o final daquele século, em algumas igrejas, o diácono voltava-se ao Norte, mesmo sem a presença masculina, por uma razão puramente espiritual, que será exposta mais adiante.

P41. Qual a quinta razão? Exemplifique.

R. As vezes uma razão baseada no asseio fez desaparecer um costume introduzido anteriormente, como um símbolo de pureza interior.
Exemplo: Na Igreja grega o sacerdote lava as mãos no início da Missa, enquanto que na Igreja latina ele as lava também antes da oblação.
"Este uso havia desaparecido, diz S. Cirilo de Jerusalém, não por necessidade, pois os sacerdotes se lavam antes de entrar na Igreja, mas para salientar a pureza interior que convém aos santos mistérios".
Posteriormente, segundo S. Amalrico e a Sexta Ordem Romana, o bispo e o sacerdote lavavam as mãos entre a oferenda dos fiéis e a oblação do altar pois poderiam conter vestígios de pão comum distribuído aos leigos; e, como segundo esta ordem se incensavam as oblações, estabeleceu-se em fim a ablução dos dedos, após esta operação para maior asseio, sem abandonar, porém, a razão espiritual primitiva.

P42. Qual a sexta razão? Exemplifique.

R. Há usos que sempre tiveram razões simbólicas e místicas. Alguns põem em dúvida que elas tenham sido assim desde o princípio; porém será fácil nos persuadirmos disto, se considerarmos que os primeiros cristãos tinham sempre por objetivo elevar suas almas e seu pensamento aos céus, que neles tudo era simbólico, e que, como os sacramentos foram instituídos sob símbolos, eles se acostumaram a espiritualizar todas as coisas, como vemos nas epístolas de S. Paulo, nos escritos de S. Bernardo, de S. Clemente, de Justino, de Tertuliano, de Orígines, etc.
Exemplo: S. Paulo dá razões místicas ao povo, quanto ao costume seguido pelos homens nas igrejas, de rezar com a cabeça descoberta; o mesmo acontece com as explicações dos santos padres sobre as razões de S. Paulo.
Outro exemplo: Por razão simbólica, também, durante muitos séculos os novos batizados se trajavam de branco, indicando a inocência. Assim aconteceu com Constantino que cobriu seu leito e revestiu seu quarto de branco depois de ter recebido o batismo.
Mais um exemplo: quando os primeiros cristãos se voltavam para o Oriente para rezar, era porque viam o Oriente como a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo; e, quando rezavam em lugares elevados e bem iluminados, era porque a luz exterior representava o Espírito Santo, como nos diz Tertuliano (Lib. adv. Valent, c. 3).
Ainda: Todas as cerimônias que precedem ao batismo são outros tantos atos simbólicos. S. Ambrósio, que as explica para os que se preparavam para receber o sacramento, diz que se faz com que os catecúmenos se voltem para o Ocidente, para indicar que renunciam as obras de Satanás e as resistem de frente, e que, em seguida, voltam-se ao Oriente para olhar a Jesus Cristo, a verdadeira luz.

P43. Qual a postura recomendada para a oração na Missa durante os quatro primeiros séculos?

R. Recomendava-se a rezar em pé nos domingos e em todo o tempo pascal, e Tertuliano diz que era uma espécie de falta rezar de joelhos e jejuar em tais dias (Die dominico jejunium nefas ducimos vel de geniculis adorare, Tertuliano, Lib. de Cor., c. 3).

P44. Houve alguma recomendação conciliar sobre tal postura?

R. Sim. Sobre tal postura o primeiro Concílio geral estabeleceu até uma lei no cânon 25, e S. Jeronimo e Sto. Agostinho, apesar de ignorarem este cânon, falavam do referido costume sempre com muita veneração. Para S. Jeronimo, tratava-se de tradição com força de lei e Sto. Agostinho somente colocava em dúvida, se ele era seguido em todo o orbe católico.

P45. Qual a origem desse costume segundo alguns doutores?

R. Sto. Hilário, S. Basílio, Sto. Ambrósio, e muitos outros doutores, julgavam que o costume de rezar em pé nos domingos e no tempo pascal provinha dos apóstolos; porém os cânones e os Concílios, e todas as obras antigas que encontramos sobre isso, apresentam razões místicas.

P46. Que razão mais adequada podemos encontrar naquele costume?

R. Segundo S. Jeronimo, os fiéis assim procediam para honrar a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo pois, eretos, demostravam a esperança que tinham de participar da sua ressurreição e ascensão (Nec curvamur, sed cum Domino coelorum alta sustullimur, S. Jeronimo, Prol. In Ep. Ad Ephes.).

P47. Por que devemos penetrar nas razões e origens misteriosas dos costumes que envolvem as cerimônias da Missa?

R. Porque afastarmo-nos de tais razões e origens seria um afastamento do espírito e dos objetivos da Igreja, que claramente pede aos seus filhos que se apliquem a penetrar nos mistérios que envolvem as cerimônias.

P48. Há algum exemplo concreto desse desejo da Igreja?

R. Sim, como prova a oração que se lê nos antigos sacramentais, repetida todos os anos na cerimônia da benção das palmas: "Fazei, Senhor, que os corações piedosos dos vossos fiéis compreendam com fruto o que significa misteriosamente esta cerimônia".
5 - Objetivos e Esquema deste Catecismo

P49. Quais são os objetivos deste
Catecismo?
R. O objetivo deste Catecismo é de formar um conjunto de ensinamentos que conserve o texto da liturgia, que explique suas cerimônias e que auxilie os fiéis a saborear por si próprios o sentido da oração pública, a amar sua majestosa sensibilidade, e fazer brotar dela todos os princípios e sentimentos que ela encerra.

P50. Qual é o esquema geral deste
Catecismo para atingir seus objetivos?
R. Para melhor conseguir seus objetivos, este Catecismo seguirá um plano geral dividido em duas partes, como segue:

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