quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Santidade é abrir as janelas da alma à luz de Deus, afirma Papa.



O Papa Bento XVI dedicou a catequese desta quarta ao grande místico e doutor da Igreja, São João da Cruz
O Papa Bento XVI dedicou a Catequese desta quarta-feira, 16, a São João da Cruz, amigo espiritual da grande mística espanhola Teresa de Jesus, sobre a qual o Papa falou há duas semanas.

O Pontífice ressaltou o que é santidade, a partir do ensinamento do santo espanhol:

"A santidade não é uma obra nossa, muito difícil, mas é exatamente essa "abertura": abrir as janelas da nossa alma para que a luz de Deus possa entrar, não esquecer de Deus, porque exatamente na abertura à sua luz se encontra a força, se encontra a alegria dos remidos. Peçamos ao Senhor para que nos ajude a encontrar essa santidade, deixemo-nos amar por Deus, que é a vocação de nós todos e a verdadeira redenção".

São João da Cruz é Doutor da Igreja e chamado na tradição de Doctor mysticus, “Doutor místico”. Ele foi companheiro de Santa Teresa no árduo processo de reforma da Ordem Carmelitana, que originou a família dos Carmelitanos Descalços, nos ramos feminino e masculino.

Acesse
.: Catequese de Bento XVI sobre São João da Cruz


O Papa também recordou que o caminho com Cristo não representa um peso a mais ao já suficientemente fardo da vida:

"Não é algo que tornaria mais pesado esse fardo, mas é algo completamente diferente, é uma luz, uma força, que nos ajuda a levar esse fardo. Se um homem carrega consigo um grande amor, esse amor lhe dá quase asas, e suporta mais facilmente todas as moléstias da vida, porque leva em si essa grande luz; isso é a fé: ser amado por Deus e deixar-se amar por Deus em Cristo Jesus. Esse deixar-se amar é a luz que nos ajuda a levar o fardo todo o dia".

O Santo Padre fez um resumo das quatro maiores obras so santo:Subida ao Monte Carmelo; Noite escura; Cântico espiritual e Chama viva de amor.

"No Cântico espiritual, São João apresenta o caminho de purificação da alma, isto é, a progressiva posse alegre de Deus, até que a alma passe a sentir que ama a Deus com o mesmo amor com que é amada por Ele. A Chama viva de amor prossegue nessa perspectiva, descrevendo mais detalhadamente o estado de união transformadora com Deus. A vida da alma é uma contínua festa do Espírito Santo, que deixa entrever a glória da união com Deus na eternidade", disse.

O célebre Cântico espiritual foi escrito, juntamente com outros poemas, durante o período em que o santo permaneceu aprisionado devido a injustas acusações. Sobre a Subida ao Monte Carmelo, o Bispo de Roma disse:

"Apresenta o itinerário espiritual do ponto de vista da purificação progressiva da alma. [...] Tal purificação é proposta como um caminho que o homem empreende, colaborando com a ação divina, para libertar a alma de todo apego ou afeto contrário à vontade de Deus. A purificação, que para chegar à união com Deus deve ser total, inicia a partir da vida dos sentidos e prossegue naquela que se obtém por meio das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que purificam a intenção, a memória e a vontade. [...] O esforço humano, de fato, é incapaz sozinho de chegar até as raízes profundas das inclinações e dos hábitos cativos da pessoa: pode somente freá-los, mas não erradicá-los completamente. Para fazê-lo, é necessária a ação especial de Deus, que purifica radicalmente o espírito e o dispõe à união de amor com Ele".

Um resumo possível da doutrina de São João da Cruz, segundo Bento XVI, seria: "Todas as coisas criadas são nada em relação a Deus e nada tem valor fora d'Ele: por consequência, para chegar ao amor perfeito de Deus, todo outro amor deve configurar-se em Cristo ao amor divino".

São João da Cruz

João da Cruz nasceu em 1542, no pequeno vilarejo de Fontiveros, próximo de Ávila, de Vecchia Castiglia, filho de Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Órfão de pai e de uma família muito pobre, devido às suas qualidades humanas e aos resultados nos estudos, foi admitido primeiro como enfermeiro no Hospital da Conceição e depois no Colégio dos Jesuítas aos dezoito anos. Ali estudou, por três anos, ciências humanas, retórica e línguas clássicas. Ao final da formação, ele tinha bem clara a sua vocação: a vida religiosa e, entre tantas ordens presentes em Medina, sentiu-se chamado ao Carmelo. 

No verão de 1563, iniciou o noviciado junto aos carmelitanos da cidade, assumindo o nome religioso de Matias. No ano seguinte, foi destinado à prestigiada Universidade de Salamanca, onde estudou por um triênio arte e filosofia. Em 1567, foi ordenado sacerdote e retornou a Medina del Campo para celebrar a sua Primeira Missa, circundado pelo afeto dos familiares. Exatamente alí aconteceu o primeiro encontro entre João e Teresa de Jesus, levando-os a uma grande amizade e admiração recíproca.

João enfrentou com exemplar serenidade e paciência enormes sofrimentos. Morreu na noite entre 13 e 14 de dezembro de 1591, enquanto os coirmãos recitavam o Ofício matutino. Despediu-se deles dizendo: "Hoje vou cantar o Ofício no céu". Os seus restos mortais foram transladados a Segóvia. Foi beatificado por Clemente X em 1675 e canonizado por Bento XIII em 1726.


A audiência

O encontro do Bispo de Roma com os fiéis reunidos na Sala Paulo VI aconteceu às 7h30 (horário de Brasília - 10h30 em Roma). O Papa continua uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja, no contexto de Catequeses dedicadas aos padres da Igreja e grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade média.

Na saudação aos fiéis de língua portuguesa, o Papa salientou:

"Amados peregrinos de língua portuguesa:
a todos saúdo cordialmente e recordo, com São João da Cruz, que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação a qual todo cristão é chamado. Por isso, exorto-vos a entrardes de modo sempre mais decidido no caminho de purificação do coração e da vida, para irdes ao encontro de Cristo. Somente nele jaz a verdadeira felicidade. Ide em paz!".


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