quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ressurreição dos Corpos.

1. Foram celebrados até hoje os mistérios dos escrutínios. Foi pesquisa do para que alguma impureza não fique ligada ao corpo de alguém. Pelo exorcismo, procurou-se e aplicou-se uma santificação não só do corpo, mas também da alma. Agora chegou o tempo e o dia de apresentar a tradição do símbolo, este símbolo que é um sinal espiritual, este símbolo que é objeto da meditação de nosso coração e como que salvaguarda sempre presente. De fato, é tesouro do nosso íntimo.


2. De início, precisamos receber a razão do próprio nome. Símbolo é termo grego que significa “contribuição”. Principalmente os comerciantes se acostumam a falar de contribuição quando ajuntam seu dinheiro e a soma assim reunida pela contribuição de cada um é conservada inteira e inviolável, se bem que ninguém ouse cometer fraude em relação à contribuição. Esse é o costume entre os próprios comerciantes para que, se alguém cometer fraude, seja rejeitado como fraudulento. Os santos apóstolos reunidos juntos fizeram um resumo da fé, a fim de que pudéssemos compreender brevemente o elenco de toda a nossa fé. A brevidade é necessária, para que ela seja sempre mantida na memória e na lembrança. Sei que principalmente em regiões do Oriente (acrescentaram coisas) àquelas que foram por primeiro transmitidas pelos nossos anciãos, uns por fraude, outros por zelo – os heréticos por fraude, os católicos por zelo. Aqueles, tentando esquivar-se fraudulentamente, acrescentaram o que não era devido, enquanto estes, esforçando-se para evitar a fraude, por certa piedade e imprudência, ultrapassaram os limites colocados pelos anciãos.


3. Os apóstolos, portanto, se reuniram e fizeram brevemente um símbolo. Persignai-vos. (Feito isso e tendo recitado o símbolo): Neste símbolo, está compreendida de maneira evidentíssima, a divindade da Trindade eterna: a operação única do Pai, do Filho e do Espírito Santo, da venerável Trindade, de modo que tal seja a nossa fé, que creiamos do mesmo modo no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Com efeito, onde não existe nenhuma distinção de majestade, também não deve haver distinção de fé. Por ou- tro lado, freqüentemente vos adverti que o nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, foi o único que tomou esta carne com alma humana racional e perfeita, e assumiu a forma do corpo. Ele se tornou como um homem na verda- de deste corpo, mas tem um privilégio singular de sua geração. De fato, não nasceu do sêmen de homem, mas, como se diz, foi gerado da virgem Maria pelo Espírito Santo. Reconheces (nisso) o privilégio do autor celeste? Tornado, portanto, como homem para assumir nossas enfermidades em sua carne, mas veio com o privilégio da majestade eterna. Recitemos, portanto, o símbolo. (Depois de recitado, assim continuou): Eis o conteúdo da Escritura divina. Deveríamos audaciosamente ultrapassar os limites (postos) pelos apóstolos? Acaso somos mais prudentes do que os apóstolos?


4. Tu me dirás: Em seguida surgiram as heresias. De fato, também o Apóstolo diz: “É necessário que haja heresias, para que os bons sejam provados” (1Cor 11,19). O que dizer, portanto? Vede a simplicidade, vede-a pureza. Quando surgiram os patripassianos, também os católicos desta região julgaram que se devia acrescentar invisível e impassível, como se o Filho de Deus fosse visível e passível. Se ele foi visível na carne, essa carne é que foi visível, não a divindade, a carne é que foi passível, não a divindade. Além disso, escuta o que ele diz: “Deus, meu Deus, olha para mim; por que me abandonaste?” (SI 21,2; cf. Mt 27,46). Nosso Senhor Jesus Cristo disse isso na paixão. Disse isso enquanto homem, enquanto carne, como se a carne dissesse à divindade: “Por que me abandonas-te?” Suponhamos que os nossos anciãos tenham sido médicos, que eles quiseram trazer saúde à doença mediante o remédio. Não se pergunta se o remédio não foi necessário naquele tempo em que as almas de certos hereges estavam com doença grave; se naquele tempo foi necessário, agora não o é. Por qual razão? Tendo sido conservada íntegra a fé contra os sabelianos, os sabelianos foram expulsos, principalmente das regiões do Ocidente. Os arianos encontraram para si nesse remédio uma espécie de calúnia, de modo que, enquanto conservamos o símbolo da Igreja romana, eles consideraram o Pai todo-poderoso invisível e impassível e disseram: “Vês que o símbolo é isso”, e assim demonstraram que o Filho é visível e passível. O que quer dizer isso? Onde a fé se mantém íntegra são suficientes os mandamentos dos apóstolos; não se têm necessidade de garantias, mesmo dos sacerdotes. Por quê? Porque o joio está misturado ao trigo.

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