terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Congregação para a Doutrina da Fé esclarece declarações do Papa Bento sobre o uso de preservativo.


Papa Bento XVI



A Congregação para a Doutrina da Fé esclareceu que as declarações do papa Bento XVI sobre o uso "excepcional" do preservativo "em alguns casos" para evitar a disseminação da Aids "não são uma alteração da doutrina moral nem da práxis pastoral da Igreja".

Segundo a nota da congregação, publicada no jornal vaticano L'Osservatore Romano, as palavras de Bento XVI divulgadas em um livro teriam sido "instrumentalizadas", com a difusão de interpretações incorretas.

A polêmica defesa sobre o uso do preservativo em determinadas situações teria sido feita em entrevista ao jornalista alemão Peter Seewald, cujo conteúdo foi publicado no livro lançado em novembro "Luce del mondo. Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi" (Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos, em tradução livre).

"A ideia que das palavras de Bento XVI se deduza que em alguns casos é lícito recorrer ao uso do preservativo para evitar gestações indesejadas é totalmente arbitrária e não corresponde às suas palavras ou pensamento", explicou a congregação, que foi liderada por Joseph Ratzinger até 2005.

De acordo com o comunicado divulgado em várias línguas pela sala de imprensa vaticana, "o Santo Padre não afirma que a prostituição com o uso de preservativo possa ser licitamente escolhida como um mal menor, como alguns definiram", uma vez que "a Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida".

Por "ocasião do livro de entrevistas do Papa, foram difundidas várias interpretações equivocadas que geraram confusão sobre a posição da Igreja Católica em relação a algumas questões da moral sexual", apontou a nota.

A congregação atestou que o pensamento do Pontífice "foi instrumentalizado para objetivos e interesses estranhos ao sentido de suas palavras, que fica evidente quando os capítulos que tratam da sexualidade humana se lêem na íntegra".

Segundo a congregação, "o interesse do Santo Padre é muito claro: reencontrar a grandeza do projeto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banalização difundida atualmente", como quando "algumas interpretações apresentaram as palavras do Papa como afirmações em contradição com a tradição moral da Igreja, hipótese que estes saudaram como uma mudança positiva, e outros a receberam com preocupação, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracepção e com as atitudes eclesiásticas na luta contra a Aids", pontuou o texto do Vaticano.

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